Digo mãe

Floresceram as cerejeiras no lento tempo do pólen.
E vieram as abelhas, e as primeiras cerejas,
e o puríssimo mel.

Veio também o mês de maio
e, com ele, a trémula ondulação das palavras.

Digo mãe. Digo filha.

Palavras ajustadas à inquieta harmonia do sangue.

Palavras que se tocam como rios
da mesma nascente inundados,
pela mesma sede procurados.

Palavras que se dizem, que se calam,
que se questionam, que se entrelaçam.

Onde estás, mãe?

Tem cuidado contigo, filha!

Graça Pires

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