Pela mão vai minha filha

Subo um passeio branco alastrado de sombra,
luz e folhas caídas.

Pela mão vai minha filha,
juntos subimos rente ao fim
da tarde.

Apertando-me os dedos, olhos nos olhos,
minha filha faz-me as perguntas de todas
as crianças.

Seus olhos espelham os meus
e na boquita fresca vagueia o sorriso
que outrora perdi.

Absorto, caminho rumo ao fim do tempo,
ela, rumo ao princípio.

O meu poente roxo é a sua alvorada
estridente.

Termino um pouco onde ela começa,
mas minhas mãos continuam nas suas.

Penso agora na morte sem angústia
e na vida com outro empenho.

Minha filha vai comigo, seus olhos,
seus gestos, seu sorriso,
lembrança de mim.

Rui Knopfli

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